O abandono de crianças e adolescentes por parte do Estado brasileiro, e a visão neoliberal, naturalizam a situação de risco em que vive grande parte dos adolescentes do nosso país, sobretudo os das classes mais baixas. Violência, drogas, poucas oportunidades de trabalho e de mobilidade social, núcleos familiares fragmentados ou inexistentes, formam um panorama desanimador para boa parte da juventude.
A infância e a adolescência, da forma como são tratadas hoje pela mídia, passam uma imagem social violenta e criminosa. Imagens de jovens, autores de atos infracionais, amotinados em instituições como por exemplo, a 'antiga FEBEM', representam a soma dos medos da sociedade nos dias de hoje.
O jovem infrator é representado como alguém naturalmente irresponsável por isso comete crimes; é naturalmente instintivo, por isso descontrolado sexualmente (daí o número crescente de gravidez na adolescência). Uma juventude estigmatizada por essa deplorável representação social.
A grande responsável por esta imagem é a mídia, que não divulga o sofrimento diário destes adolescentes e suas famílias, que ficam a margens de políticas públicas.
Pegam determinados atos cometidos por adolescentes e transformam em grandes acontecimentos, que só contribui para afirmar o caráter infrator do jovem.

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